Sinceramente, acho que nem todo os dicionários de língua portuguesa existentes conseguiriam descrever tudo que eu senti nesse verão.
Amei demais, esperei demais... E aquilo tudo sendo deixado pra trás com certeza foi o que mais doeu.
Já disse hoje que odeio mudanças? É a verdade, sou um ser que não sabe escolher, que não reconhece mentiras e que se derrete com um 'eu te amo' cínico.
Mas realmente, se esse verão serviu pra alguma coisa, foi pra me fazer ver as coisas de verdade; ele me obrigou, por assim dizer.
Tudo mudou. Aqui dentro, aqui fora... Eu tenho tentado olhar pra frente e seguir, mas minha vida se tornou quase irreconhecível.
Mas se me perguntarem 'e você, tá se sentindo perdida?' Responderei sem exitar que não, não estou. 'É que me encontrei com o nada, e acho que meu lugar é aqui' explica muita coisa.
É simples, embora a maior confusão pela qual já passei: tudo muda, as pessoas partem e eu me parto junto. O que eu acreditava nunca existiu, e o que eu sentia, nunca importou.
Mas eaí? Alguns sentimentos são frágeis demais, mas nem por isso deixam de ser sentimentos; algumas pessoas vem e vão, mas o que realmente interessa sempre acaba ficando.
Eu fiquei; e o verão ainda não acabou. Portanto, partirei pra longe; deixarei tudo o que me faz mal lacrado, escondido onde eu não tenha que olhar, pelo menos por um tempo. E com coragem no bolso, passaporte na mão e sentimento guardado, eu vou tentar pela última vez fazer com que esse longo verão solitário valha a pena.
